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A TRADIÇÃO DOS DOCES

Depois que venceu os exércitos do índio missioneiro Sepé Tiarajú em Caibaté, Tomás Luis Osório recebeu como prêmio as terras onde atualmente está o município de Pelotas.

Em 1763, quando a cidade de Rio Grande foi invadida pelos espanhóis - conseqüência do fato de Osório ter entregue a Fortaleza de Santa Tereza, no atual Uruguai -, a população que fugia dos invasores refugiou-se justamente nas terras do comandante português, localizando-se na altura do atual balneário do Laranjal.

Com essas pessoas chegou ali a tradição dos doces portugueses, normalmente à base de ovos. Quando a cidade cresceu baseada na indústria do charque, as pessoas saboreavam os doces e licores caseiros durante os saraus nos casarões da elite local.

Pelotas é um dos municípios antigos do Rio Grande do Sul. Sua elevação a cidade ocorreu em 27 de junho de 1835, alguns meses antes da deflagração da Revolução Farroupilha, o que ocorreria em 20 de setembro. Em 7 de julho comemora a elevação a freguesia, acontecida no ano de 1812.
CHARQUEADAS

A introdução do charque, uma atividade que se desenvolveu no Rio Grande do Sul mas multiplicou riquezas por todo o país e foi essencial na época do chamado Ciclo do Ouro, quando era a base da alimentação das pessoas que trabalhavam nas Minas Gerais, está ligada não a um gaúcho, mas a um cearense, José Pinto Martins. Foi ele que constituiu em Pelotas, em 1780, a primeira charqueada do município. Seriam as charqueadas que, depois desse momento, se transformariam na base da economia local e do próprio Rio Grande, por muito tempo.

O charque era amplamente utilizado na alimentação de escravos e das camadas mais pobres da população das cidades brasileiras. E Pelotas, em pouco tempo, se transformou em um centro exportador do produto para o país.

Com o dinheiro advindo da atividade é que se ergueram os prédios que ficaram conhecidos pela beleza de sua arquitetura. E que se realizaram os saraus que transformaram o doce em uma marca registrada da cidade.

E foi também graças à riqueza e movimentação proporcionada pela atividade da industrialização e comercialização do charque que Pelotas se transformou em um importante centro cultural. Em 1831, emancipada há pouco de Rio Grande, fundava-se na então vila um teatro para óperas e operetas superior a qualquer outro existente na Província.

 


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